7 de jan. de 2026

A queda de Maduro não é só o fim de um regime vizinho. É o início de uma exposição regional. E o governo Lula sabe que isso é um problema direto para ele. Quando os EUA derrubaram Maduro o Planalto correu para condenar a operação. Falou em soberania em paz em autodeterminação. Mas a pressa não foi só institucional. Foi instintiva. O PT entendeu na mesma hora o que estava em jogo. A queda do chavismo abre porta para documentos delações e arquivos que podem mostrar como o dinheiro e o poder circularam na América do Sul nas últimas duas décadas. Maduro caiu. A sucessão ruíu. Militares estão fazendo acordos. E quem tem informação vai usar. Não para contar histórias. Para escapar de prisão. Nesse ambiente o governo brasileiro tem motivos reais para se preocupar. O BNDES despejou bilhões em contratos na Venezuela durante governos petistas. Estaleiro metrô obras siderúrgicas. Nada disso retornou ao Brasil. Não há transparência plena sobre intermediários e contrapartidas. E até hoje nenhuma investigação séria saiu do papel. Isso não torna ninguém culpado mas deixa muitas perguntas sem resposta. Enquanto analistas falam em “medo da intervenção americana no continente” o receio verdadeiro é outro: delações vazando ligação entre Caracas e aliados políticos do PT. Isso já foi sugerido pelo ex-chefe de inteligência venezuelano Hugo Carvajal. Ele citou apoio a campanhas de esquerda na região incluindo o Brasil. Nada provado ainda. Mas agora Maduro não pode mais garantir silêncio. Esse é o risco real para o governo Lula. Não tanques dos EUA. Papéis vindos de Caracas. É importante deixar claro algo que a imprensa com frequência distorce. O Brasil não é o PT. O Brasil não é o Planalto. E parte significativa do Congresso da mídia da economia e da sociedade brasileira rejeita a aliança automática com regimes autoritários ou socialistas. Muitos parlamentares já vêm denunciando há anos a conivência do petismo com ditaduras bolivarianas. E boa parte do setor privado sabe que o desastre econômico venezuelano veio justamente do controle estatal da energia e da destruição da indústria extrativa. Agora entramos na camada que realmente interessa. Enquanto o PT se posiciona diplomaticamente para proteger seu passado o Brasil como país se torna o centro estratégico do continente. E não por discurso. Mas porque concentra: ferro bauxita manganês ouro níquel lítio e a infraestrutura industrial e logística capaz de transformar tudo isso em hegemonia regional. A Venezuela virou presa porque perdeu o controle do petróleo. A Colômbia virou alvo retórico porque não controla territórios e rotas ilícitas. O Brasil vira objeto de disputa porque tem os recursos que sustentam o século XXI. E aqui surge outra linha que preocupa opositores e especialistas: denúncias e rumores sobre exportação de minerais brasileiros para regimes que financiam terrorismo. Não existe prova direta de ligação entre o governo Lula e grupos extremistas do Oriente Médio. Mas existem negociações com países que patrocinam milícias regionais e organizações armadas. No mundo real isso significa risco reputacional e político imediato se houver vazamento de informação sensível. O mapa está claro. A América Latina está sendo reorganizada pela força. Os EUA decidiram que não vão mais assistir Estados falharem sobre recursos estratégicos. A Venezuela já foi o primeiro exemplo prático. A Colômbia está na fila do discurso. E o Brasil está na sala de espera — não como alvo militar mas como alvo informacional. Se vier à tona conexão financeira ou contrapartida política entre BNDES, PT e chavismo o dano será interno. Se surgir vínculo entre minério brasileiro e intermediários radicais o dano será externo. Se o Brasil como Estado enfraquecer o controle sobre sua cadeia extrativa, perde o único escudo que o separa da sorte dos vizinhos. E aqui está o ponto final e simples: O Brasil como potência é valioso demais para ignorar. O governo Lula é frágil demais para segurar esse peso sem rachaduras. A diferença entre país e governo ficou explícita no dia em que Maduro foi capturado. A América Latina acaba de entrar em outra era. E o governo do Brasil não está conduzindo essa transição. Está tentando sobreviver a ela.